terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Taverna do Bardo - Parte 3
O velho homem saiu da Taverna do Bardo atrás de Alrosth para perguntar mais coisas, mas não o encontrou lá fora. Voltou para a estalagem e subiu rapidamente as escadas em espiral, tropeçando no seu casaco de couro de elefante. Lá embaixo, o bardo novamente tocava seu bandolim, e os homens bebiam excessivamente.
O corredor era estreito, havia muitas portas, o velho entrou em um daqueles quartos. Havia espadas de vários tamanhos fixadas nas quatro paredes, e sacos espalhados pelo chão, cheios de frágeis e belíssimos objetos de marfim, o velho teve cuidado para não pisar em nenhum deles. Seu senhor estava na janela e se virou dizendo:
― Ousa me incomodar, Canopus, o que há?
― Meu senhor, o dos Múltiplos Nomes ― disse o velho, abaixando a cabeça em reverência. ― Um homem do leste o persegue! Seu nome é Alrosth, ele se referiu ao senhor como Rodd.
O dos Múltiplos Nomes se voltou novamente para a janela, preocupado. Sabia que o tal Alrosth devia ser bom em seguir pistas, não o havia percebido. Rodd foi o nome que usou quando estava nas Terras do Leste.
Alrosth vagava sem rumo por Bélidan, era tarde da noite e ainda havia movimento no centro da cidade, com pessoas vendendo peixes frescos, frutas, grãos, roupas, óleos, objetos e utensílios domésticos. Alrosth começava a se sentir cansado, e agora permaneceria na cidade, desconfiava que Rodd estava ali, principalmente depois da reação dos homens na Taverna do Bardo. Acomodou-se no final de uma alameda escura, sob uma pequena árvore que parecia sufocada na calçada de pedras, deitou-se no chão e fechou os olhos, atento caso alguém aparecesse.
― Esse ponto é meu, não quero nem saber! ― gritou um menininho mendigo, ao lado de Alrosth.
― Você dorme aqui? ― perguntou Alrosth.
― Desde sempre. ― disse o menino, limpando a sujeira em seu rosto.
Alrosth sentou-se do outro lado da árvore, e o menino se acomodou.
― Quer pão? ― perguntou o menino, segurando um saco. ― Coma, peguei de um anão distraído, que corria atrás de uma criatura estranha.
Alrosth fez um sinal com a cabeça de que não queria comer e perguntou:
― Ele estava com um elfo?
― Hm... sim, tinha um elfo correndo também. ― disse o menino, apreciando cada pedaço do pão.
Alrosth pensou por alguns minutos e dormiu ao lado do menino.
Continua...
Por Arthur, Alcy e Daniela
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte VIII

Várias pedras no caminho...
Não fora uma noite tão agradável, levantei antes mesmo do nascer do sol. Quanto mais rápido eu saísse daquelas montanhas, mais estaria longe de um risco eminente... encontrar orcs.
Minha saída era continuar aos pés das montanhas, me dirigindo sempre ao sul, ao final eu chegaria à grande Torre de Orthanc. Antes uma olhada no mapa. Não conhecia muito sobre aquelas terras, mas no mapa indicava mais ao sul a região dos Terrapardenses. Na época, eu não sabia de muitas histórias, e muito menos dos acontecimentos da Quarta Era do Sol. Naqueles anos pós Guerra do Anel, o Rei Aragorn perdoou os Terrapardenses, assim eles se tornaram menos hostis, mas ainda eram pessoas estranhas.
O caminho aos pés das montanhas era ruim, bastante irregular, pedras soltas me faziam escorregar, mas, parecia que era o caminho mais seguro. Aquelas terras não eram de importância aos Terrapardenses, o que era bom, dificilmente encontraria com algum habitante daquele lugar. Viajar a noite não era uma boa idéia, pois, uma coisa havia aprendido com o velho Telárius; “Nunca viaje a noite, os orcs são como Narubb, saem para caçar na escuridão”.
Alguns dias depois de ouvir os gigantes nas montanhas, pude ter uma boa noite de sono, mesmo que, me acomodando sobre pedras. Não havia muito que comer nas montanhas, a comida trazida da casa de Telárius havia acabado... Eu estava começando a ficar desesperado, não era um bom caçador, mesmo se fosse, para isso, teria que me afastar das montanhas, o que era um risco muito grande. Se pelo menos Narubb estivesse lá, ela poderia me ajudar bastante, mas eu não podia contar com ela.
Minha vista do horizonte começava a mudar, as montanhas pareciam diminuir, como que anunciando o fim dessa imensa cordilheira, que se estendia desde as colinas de Bree, bem ao norte. Meu desvio, um atalho por assim dizer, havia dado certo até aquele momento, não havia encontrado orcs, não havia visto mais Narubb.
Nas Montanhas Sombrias era sempre sol, o terreno era árido demais, o que mostrava pouca chuva na maior parte do ano. À medida que eu caminhava, a fome ficava mais insuportável. A idéia de tomar outro caminho para tentar procurar comida já não era um risco, e sim uma grande possibilidade de sobrevivência. Mas para onde eu iria? Tentava algo por entre as montanhas, ou seguiria para encontrar algum acampamento dos Terrapardenses? Perguntas difíceis naquele momento...
Talvez meu “Até breve” à Telárius tenha sido precipitado, minha jornada estava longe do fim. Eu estava com fome em um lugar inóspito. Não havia água, comida, amoras, cerejas, uma grande árvores para descansar em suas raízes, até as ervas de fumo haviam acabado, nesse momento eu pensava: “Talvez tenha sido um grande erro sair do Condado”.
Continua...
Arthur Damaso
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Taverna do Bardo - Parte 2
Não se sentia cansado, mas também não convinha viajar a noite. O certo seria se hospedar ali mesmo. No balcão, perto de uma escada em espiral, estava um homem parrudo, já de idade avançada, que prestava atenção na apresentação do bardo.
― Uma boa noite para velhas canções ― falou Alrosth.
― Essa não é tão velha assim ― disse o homem, virando a cabeça para encarar Alrosth.
― E o que alguém do leste faz aqui, tão longe do conforto?
Alrosth ficou calado por alguns momentos. Seu sotaque era inconfundível, porém isso não atrapalharia a missão.
― Procuro por um homem. Segundo minhas informações ele pode estar nesta cidade ― falou. Era preciso extrair um pouco mais do homem, antes de decidir se era seguro revelar mais da missão.
― Com tantas pistas assim fica difícil falar ― ele começava a parecer interessado. Diminuiu o tom da voz e chegou perto de onde Alrosth tinha se sentado. ― Pode ser mais claro?
― O nome que tenho é Rodd ― disse Alrosth.
De imediato o bardo parou de cantar. O lugar foi invadido por um desconcertante silêncio e todos encararam Alrosth. Ele olhou em volta e o que viu foram vários pares de olhos que brilhavam numa mistura de medo e ódio. Enfiou lentamente a mão dentro da capa e segurou a bainha da espada.
― Saia já daqui ― sussurrou o homem, dando a volta pelo balcão e empurrando-o por entre as mesas até a saída. ― Eles vão logo se esquecer disso, mas não apareça de novo por aqui, nem saia por aí dizendo besteiras como essa.
A primeira impressão da cidade não tinha sido muito boa. Mas algo começava a se confirmar: Rodd estava em Bélidan.
Continua...
Por Arthur, Alcy e Daniela
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Taverna do Bardo - Parte 1
Depois de alguns dias de viagem em uma estrada deserta, Alrosth chegara a uma cidade chamada Bélidan, ele procurava um homem, que a partir de algumas informações, estaria nesta cidade.
Era uma grande cidade, um centro de comércio, seria difícil encontrar alguém naquele lugar. A cidade tinha boa parte das casas feita de pedra, só algumas casas fora do muro externo não eram feitas de pedra. Guardas vigiavam de altas torres, grandes arcos e flechas tão afiadas quanto uma espada.
Alrosth trajava uma roupa verde, já desbotada pelo tempo, ele já não era tão jovem, talvez trinta anos, era alto, mas não muito forte. Um arco longo nas costas, uma aljava feita de couro, e um punhal que guardava dentro de sua bota.
Ele estava sem direção, pois, não conhecia a cidade. Anoitecera, e então, ele fora procurar uma taverna e uma possível estalagem para pernoitar, foi seguindo por um longo corredor, algumas portas dos lados, muitas janelas e algumas lamparinas presas em alguns portais. Lá, bem distante Alrosth avistou uma placa de madeira escrita, "Taverna do Bardo". Muitas luzes acesas, ele seguiu pelo corredor, passou por um homem encapuzado, mas ele não tinha certeza que era mesmo um homem, Alrosth não conseguiu ver o que era, tentou passar despercebido.
Na porta, estavam um anão, um elfo e uma criatura estranha, não sendo vista com freqüência por aquelas terras, possivelmente um goblin. Alrosth aproveitou a ocasião para fazer algumas perguntas;
― Boa noite senhores! ― disse Alrosth. ― Meu nome é Alrosth, das Terras do Leste. Espero não estar atrapalhando esta bela noite.
O anão olhou diretamente nos olhos de Alrosth. ― Boa noite viajante! ― Nada mais disse o anão.
― Não se preocupe com Théran. ― disse o elfo, com uma feição amigável. ― Saudações, nobre viajante, meu nome é Hellian, das Florestas Longínquas de Aldenian. Não atrapalha, só estamos de passagem, ficaremos aqui só esta noite. Levaremos esta criatura até o próximo posto de guarda, não muito longe, talvez, um dia de viagem.
Alrosth percebeu que o elfo estava disposto a ajudar, mesmo que de forma ínfima. ― Estou à procura de um homem, seguindo-o através de várias léguas. Você sabe alguém de confiança para me dar informações seguras?
― Mas, o que este homem fez? ― O elfo queria saber de algo. Mas parecia que Alrosth não falaria nada, mesmo para um elfo que parecia tentar ajudar. ― Desculpe, mas é uma missão de bastante discrição.
― Agradeço a ajuda de vocês. Vou entrar na taverna, aproveitar esta boa música e tentar descobrir alguma coisa. ― Alrosth percebeu que não adiantaria ficar ali. ― Até breve senhores! Boa Noite.
Alrosth entrou na estalagem. No canto, bem perto da janela estava um bardo tocando seu bandolim, enquanto, outros bebiam e se divertiam. A estalagem estava cheia de viajantes, possivelmente; ladrões, assassinos, mercenários.
Era uma grande cidade, um centro de comércio, seria difícil encontrar alguém naquele lugar. A cidade tinha boa parte das casas feita de pedra, só algumas casas fora do muro externo não eram feitas de pedra. Guardas vigiavam de altas torres, grandes arcos e flechas tão afiadas quanto uma espada.
Alrosth trajava uma roupa verde, já desbotada pelo tempo, ele já não era tão jovem, talvez trinta anos, era alto, mas não muito forte. Um arco longo nas costas, uma aljava feita de couro, e um punhal que guardava dentro de sua bota.
Ele estava sem direção, pois, não conhecia a cidade. Anoitecera, e então, ele fora procurar uma taverna e uma possível estalagem para pernoitar, foi seguindo por um longo corredor, algumas portas dos lados, muitas janelas e algumas lamparinas presas em alguns portais. Lá, bem distante Alrosth avistou uma placa de madeira escrita, "Taverna do Bardo". Muitas luzes acesas, ele seguiu pelo corredor, passou por um homem encapuzado, mas ele não tinha certeza que era mesmo um homem, Alrosth não conseguiu ver o que era, tentou passar despercebido.
Na porta, estavam um anão, um elfo e uma criatura estranha, não sendo vista com freqüência por aquelas terras, possivelmente um goblin. Alrosth aproveitou a ocasião para fazer algumas perguntas;
― Boa noite senhores! ― disse Alrosth. ― Meu nome é Alrosth, das Terras do Leste. Espero não estar atrapalhando esta bela noite.
O anão olhou diretamente nos olhos de Alrosth. ― Boa noite viajante! ― Nada mais disse o anão.
― Não se preocupe com Théran. ― disse o elfo, com uma feição amigável. ― Saudações, nobre viajante, meu nome é Hellian, das Florestas Longínquas de Aldenian. Não atrapalha, só estamos de passagem, ficaremos aqui só esta noite. Levaremos esta criatura até o próximo posto de guarda, não muito longe, talvez, um dia de viagem.
Alrosth percebeu que o elfo estava disposto a ajudar, mesmo que de forma ínfima. ― Estou à procura de um homem, seguindo-o através de várias léguas. Você sabe alguém de confiança para me dar informações seguras?
― Mas, o que este homem fez? ― O elfo queria saber de algo. Mas parecia que Alrosth não falaria nada, mesmo para um elfo que parecia tentar ajudar. ― Desculpe, mas é uma missão de bastante discrição.
― Agradeço a ajuda de vocês. Vou entrar na taverna, aproveitar esta boa música e tentar descobrir alguma coisa. ― Alrosth percebeu que não adiantaria ficar ali. ― Até breve senhores! Boa Noite.
Alrosth entrou na estalagem. No canto, bem perto da janela estava um bardo tocando seu bandolim, enquanto, outros bebiam e se divertiam. A estalagem estava cheia de viajantes, possivelmente; ladrões, assassinos, mercenários.
Continua...
Por Arthur, Alcy e Daniela
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Menestréis - 1 e 2
A Fuga
Correu o máximo que podia, havia sido condenado à guilhotina, por um crime que não podia evitar, a arte. Estava suando frio, o coração a saltar do peito, sem fôlego, teve que parar, sabia que estava na praia, e precisava encontrar as docas. Foi seguindo o cheiro de madeira.
Quando um barco encontrar,
Poderei me salvar deste ínfimo infortúnio,
A rimas vulgares sujeito.
Quem já partiu foi embora,
Quem foi embora voltará.
O Menestrel se frustrou por estar com tanto medo e não poder esculpir palavras melhores. Percebeu que estava dentro de um barco. Ele sabia que não havia ninguém ali, tirou um canivete do bolso e cortou as cordas que prendiam o barco à praia. Logo começou a ouvir tambores e gritos selvagens, mas ainda distantes. Tinha que fugir daquela ilha o mais rápido possível.
O pequeno barco ia lentamente, as ondas estavam calmas para uma noite escura como aquela. O Menestrel tateou tudo o que havia ali, como facas, redes de pesca, papéis sobre uma mesinha, e um baú. Dentro do baú havia vários frascos pequenos, de uma bebida com cheiro de flores, mas o Menestrel ainda não sabia o que era aquela bebida, e não experimentou. Pegou um frasquinho e guardou no bolso. Ele sabia que não seria perseguido agora, estava no mar e não mais seria um infortúnio. Ouviu gritos na praia, lanças e pedras chegaram perto. A ilha ficava cada vez mais distante e ele desmaiou de cansaço.
~
Uma personagem não é mencionada
Com sua corja, o rei Baleth oprimia o povo com violência. Quando uma família sacrificava um carneiro, colhia trigo, ou usava o moinho, mais da metade do que era produzido devia ser entregue no Palácio do rei. O povo de Árane se sentia escravizado e estava cansado desses enormes tributos e serviços que eram obrigados a prestar.
Árane era um país, mas era uma única e grande vila. Havia centenas de casinhas simples e pobres de madeira e barro, entre ruas de terra pisoteada. Chovia quase todas as noites, e os dias eram ensolarados. Só o Palácio era luxuoso, e todos eram proibidos de entrar lá sem autorização dos guardiões, que eram vigias e capangas do rei.
Os áranes eram muito parecidos, pele queimada do sol, cabelos e olhos escuros, respeitosos e honestos, cada família preservava valores distintos. Trabalhavam muito, e por falta de tempo para ensinar os jovens, só os mais velhos ainda sabiam ler e escrever. Às vezes, todos se reuniam no Campo, que ficava no centro da vila, e lá era acesa uma grande fogueira, e os filhos dançavam enquanto os pais e avós cantavam sobre Outrora, uma época em que havia felicidade e vitalidade em Árane, e não amargura e cansaço.
Calisto, um tecelão, era preocupado, talvez mais do que todos, com a situação humilhante em que se encontravam, subordinados a Baleth. Durante meses, Calisto estudou uma possibilidade de se reunir com o povo em segredo, e essa hora havia chegado, sendo que dia e noite, até nos encontros no Campo, eles eram vigiados pelos guardiões do rei.
Todos foram cautelosamente avisados sobre a reunião, que aconteceria na madrugada em que vinte dos guardiões participariam de um jantar com o rei Baleth, e os outros quarenta provavelmente comeriam muito e cairiam no sono, como havia suposto Calisto, com base em suas observações.
No horário combinado, todos foram em silêncio e no escuro para a casa de Calisto, e nenhum guardião percebeu as pessoas nas ruas, andando como em uma procissão. O povo, ao chegar, foi se acomodando como pôde, porque na casa de Calisto, mesmo com muito espaço, não havia muitos bancos e cadeiras, mais da metade das pessoas ficaram do lado de fora, mas de forma com que pudessem participar da reunião. Ficaram em casa as crianças e os muito jovens.
- Agora podemos conversar e tentar encontrar uma solução para Árane. Nossa última tentativa de destruir Baleth, no ano passado, foi uma decepção, disse Calisto.
O que foi essa decepção, em outra ocasião será contada.
- Vocês sabem que ainda há uma esperança, e talvez seja impossível, mas é o que nos resta.
Continuou Calisto, dizendo o que todos queriam ouvir.
- Nós precisamos da ajuda de Tílitris!, Calisto estava em cima de uma mesa, e as mulheres se escondiam atrás de seus maridos, com os olhos arregalados. Todos sabiam o que aquilo significava.
Tílitris era um país ao Leste, e em Outrora, mantinha boas relações com Árane, mas agora estavam isolados um do outro. Baleth entrou no poder de Árane e mudou rapidamente o sistema político, o transformando em um reino opressor. Em Tílitris, ainda haveria respeito e igualdade, e Feltris como soberano de uma nação que sempre foi culturalmente desenvolvida.
Os áranes acreditavam que Feltris não recusaria um pedido de socorro, para tirar o Baleth do poder. À medida que Calisto falava, a esperança iluminava os olhares daquele povo.
- Feltris já foi nosso amigo, se ele souber da situação em Árane, ficará do nosso lado, completou Calisto.
Eritar, um ancião, se levantou para falar.
- Não sabemos da situação de Tílitris nos dias de hoje, e eles não sabem que fomos escravizados por Baleth. Mas mesmo que possamos contar com o apoio de Tílitris, como poderemos nos comunicar com eles? É impossível passar pelo Portão de Evonuque, o Mandingueiro Búfalo.
Após Eritar, todos começaram a falar ao mesmo tempo, mas todos a favor de mandarem alguém para Tílitris. Calisto chamou a atenção.
- Alguém precisa tentar passar pelo Portão de Evonuque, é a única forma de se chegar a Tílitris, não há outro caminho. Difícil será encontrar alguém para ir até lá.
Cinco homens, pais de família, se voluntariaram para ir. Calisto tomou a palavra novamente.
- Todos nós agradecemos a coragem de vocês, mas temos que ser discretos, para que ninguém do Palácio perceba o que estamos planejando. O enviado a esta missão deve ser alguém que não faça falta, a pessoa mais insignificante aos olhos do rei.
Liriar, filha de Eritar, disse:
- Com todo o respeito, mas quem poderia ser essa pessoa invisível?
Todos olharam uns para os outros, esperando que alguém se pronunciasse, mas os áranes eram muito orgulhosos, e, apesar das humilhações do dia-a-dia, tentavam manter sua dignidade. Ninguém queria ser considerado insignificante e sem importância.
~
Daniela Ortega
domingo, 22 de novembro de 2009
As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte VII

Uma noite de medos e gigantes nas montanhas...
De acordo com o mapa que Telárius me entregara, aquele me parecia ser o Rio Cinzento, logo passaria por uma antiga cidade portuária chamada Tharbard. Não muito povoada naqueles tempos. Minha estadia fora rápida, um banho para me ajudar com o vinho da noite anterior. Até tentei pescar alguns peixes que ficavam debaixo da grande ponte, mas sem sucesso... Improvisei uma vara de pesca, péssima idéia, no primeiro peixe ela se quebrou, eu quase fui arrastado para debaixo da ponte.
Achei melhor e mais seguro comer algumas frutas, elas não se mexiam e nem precisavam ser pescadas. Sentei ao pé de uma árvore para me deliciar com algumas frutas, escutei um barulho, quando olhei para o lado lá estava Narubb. Um sentimento de alegria me tomou naquele momento. Já não estava mais tão sozinho, ela tinha um pequeno papel em uma de suas garras. Era uma mensagem de Telárius; “Balur, tome cuidado ao seguir a Velha Estrada do Sul, existem movimentações estranhas por lá, parece que houve ataques de orcs aos Terrapardenses”.
Era tudo o que eu não precisava. Eu poderia seguir um pequeno rio que corria para o leste até as montanhas sombrias, mas Telárius havia me avisado para nunca tentar atravessar aquelas montanhas. Mas de acordo com o que Telárius me mandara em sua mensagem, de qualquer forma poderia encontrar orcs pelo caminho, nas montanhas eu teria mais chance de escapar, então, segui para as montanhas, o que foi um grande erro...
Logo que li o recado de Telárius, Narubb partiu novamente, mas antes coloquei um recado respondendo à Telárius, dizendo que tinha recebido sua mensagem, mas não mencionei o desvio até as montanhas.
Segui por quatorze dias aquele riacho até bem próximo das montanhas. Narubb não havia aparecido, e eu começava a ficar preocupado. Viajei avistando grandes montanhas no horizonte, ventos fortes vinham de lá, era frio e causava medo. Na ultima noite antes de alcançar as montanhas, acampei próximo a uma grande rocha que se erguia solitária, o terreno era duro e cheio de pequenas pedras, nada comparado com as gramas verdinhas de outros dias ou as confortáveis camas de Bree, mas este era meu caminho e teria que abandonar alguns confortos.
O som dos ventos eram como uivos de lobos, pedras pareciam despencar das montanhas e quando batiam no chão faziam um grande barulho. Foi quando me lembrei das histórias sobre os gigantes que Bilbo viu em sua aventura com Gandalf. Os gigantes ficavam do outro lado do vale, lá embaixo as pedras se despedaçavam e faziam um barulho ensurdecedor. Era uma espécie de jogo, eles jogavam as pedras uns sobre os outros, não consegui vê-los naquela noite, mas dormi ouvindo os grandes estrondos.
Continua...
Arthur Damaso
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte VI

“Até breve Telárius!”...
Quando o cachimbo já havia se apagado, surgiu uma leve brisa, e com ela Telárius também apareceu de um lugar que eu até hoje desconheço. Foi engraçado, mas eu o achava um pouco estranho, desde a primeira vez que o vi em Bree. Ele me deu algumas instruções, me entregara um mapa, me mostrou o caminho mais seguro e me disse; “Nunca tente atravessar as Montanhas Sombrias, mesmo que isso signifique encurtar a viagem, há muito mais que pedras naquele lugar!”... Nunca tinha estado naquelas montanhas, não sabia de seus perigos, apenas histórias e canções antigas, mas na dúvida, escute alguém que já tenha visto outras terras e fumado mais cachimbos.
Mas o interessante ainda estava por vir, antes de partir, Telárius sugeriu que Narubb fosse comigo para a viagem, não foi uma idéia agradável, ao menos naquele momento não parecia. Bem, ela tinha demonstrado certa afeição à minha pessoa, concordei com a idéia, no fim era uma companhia, não estaria sozinho o tempo todo.
Eu já estava de saída, quando escutei os passos rápidos de Telárius entrarem em sua e casa, e depois me chamando com certa urgência... ”Já ia me esquecendo! Quero que entregue esta carta a um velho amigo.”... Eu fiquei sem entender, mas ele nem me dissera quem era, até perguntei, ele respondera; “Não se preocupe, você o encontrará, apenas siga o caminho que já planejara fazer”. Bom, tentei não me preocupar com isso, guardei a carta comigo e me despedi daquele velho homem chamado Telárius. “Até breve... eu espero”.
Narubb ficara um tempo com ele ainda. Fui seguindo a estrada, as Montanhas Sombrias eram como uma grande parede de pedra, mas estavam distantes, faziam parte de um imenso horizonte, tomei o caminho verde e segui aquela estrada que na Quarta Era se tornara mais freqüentada, cheia de viajantes, comerciantes e ladrões, mas estes últimos eu não fazia questão de encontrar. Havia rastro de uma carroça, se tivesse sorte alcançaria e até pediria uma ajuda, não seria ruim, economizaria a sola dos pés. Segui com a minha viagem, Narubb ainda não havia me alcançado, nem a tinha visto no céu.
Algumas milhas a frente avistei uma pequena mata, o sol estava se pondo, era um lugar perfeito para acampar, descansar e comer é claro. Havia trazido alguns pães da casa de Telárius, uma garrafa de vinho. Fiz uma fogueira, fiquei pensando onde Narubb poderia estar, por fim, fui tomar meu vinho, tomei um pouco além da conta, já distante do bom juízo decidi subir em uma árvore. Depois de algumas quedas consegui subir, mal havia subido, olhei em um galho ao lado, Narubb estava lá, me olhando com aqueles olhos rutilantes, me assustei e cai de cima da árvore novamente, só que dessa vez acabei ficando lá embaixo, meus olhos foram fechando... Dormi com os pés pra cima e minha cabeça dentro de uma raiz.
Não fora as melhores das noites, com certeza não fora. Minhas costas doíam e minha cabeça também. Lembrei-me de pouca coisa, só que Narubb estava em um galho e então... Esqueci! Mas onde estava ela agora? Fiquei pensando se aquilo tudo fora um sonho, mas meu corpo respondia de forma imediata que não fora um simples sonho. A garrafa de vinho estava vazia, alguns pães no chão, era hora de limpar tudo e partir, o brilho do sol me incomodava muito, mas tinha que continuar.
Depois daquele incidente noturno procurei andar pelas poucas sombras existentes, pelo mapa que eu possuía, deveria existir um rio não muito longe dali, talvez um pouco de água me ajudasse.
Continua...
Arthur Damaso
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