domingo, 16 de novembro de 2014

Menestréis - 9



O Mandingueiro Búfalo 

   Acordaram bem cedo e Olívia explicou tudo a Bardax, que parecia já ter entendido pela conversa na noite anterior.

   - Bardax, não volte para Árane, eles podem não entender e pensar que falhamos em nossos objetivos. Tente Alcançar os ciganos e siga com eles. Prometo te procurar quando tudo isso acabar, e te buscarei mesmo que nada aconteça.

   Bardax desceu a montanha num trote e logo sumiu entre as árvores. Olívia agradeceu ao Leão da Montanha por toda a ajuda e conselhos. E foi em direção ao Portão.

  O Portão de Evonuque estava em frente à Olívia. Ela se decepcionou, porque não havia portão algum ali. Era um grande espelho. Olívia jogou pedras contra o espelho e tentou quebrá-lo, mas nada acontecia, ela avistou um centauro vindo de encontro a ela. Olhou para trás e não havia ninguém, o centauro saiu de dentro do espelho.

   - Você não passa aqui. E sabe disso, mas não vai desistir, não é mesmo?. Tente, mas não vai conseguir.

   - Você é Evonuque, o Mandingueiro BúfaloO centauro, impaciente, não respondeu e estava entrando novamente no espelho, quando Olívia o interrompeu:

   - Mandingueiro Evonuque, eu não sou alquimista nem trago inveja! Eu o respeito e preciso da sua ajuda, preciso que me deixe passar pelo seu Portão, para que eu possa falar com o soberano Feltris, de Tílitris, e com isso pedir ajuda para combater o rei que nos escraviza em Árane.

   Evonuque escutou tudo com preguiça, mas abriu bem os olhos quando ouviu Olívia falar de Feltris. Continuou a entrar no espelho, não dando importância ao que Olívia havia dito. E ela se desesperou:

   - Mandingueiro maldito! Você é culpado por tudo! Você separou Árane de Tílitris com essa historinha de Portão!

   Evonuque já estava dentro do espelho e saiu novamente, com as sobrancelhas franzidas e uma voz raivosa, dizendo:

   - Não sou bom e não sou mau, criei o Portão, e ele agiu por si. Não dou a mínima para o seu povo. E eu sei de tudo o que já aconteceu e o que vai acontecer... Parece que me enganei, o Portão vai permitir que você passe. Porém, minha poção cintilante acabou, e não há como sair do continente sem ela. Tílitris é uma ilha.

   Evonuque sabia que um Alquimista estava no poder em Tílitris e isso o irritava muito. Ele odiava os Alquimistas, que tentavam ser mágicos e poderosos como ele era, mas não conseguiam porque não eram Mandingueiros Búfalos, e eram bons ou maus e ambiciosos como o Alquimista de Tílitris. Para ser um Mandingueiro poderoso era preciso ser imparcial e racional na regência das leis das mandingas. Evonuque sabia que de certa forma Olívia iria incomodar o tal Alquimista, e isso seria ótimo, apesar de que ele não quis se esforçar para ver o futuro, tendo certeza de que ela também seria enforcada.

   Olívia foi de encontro ao espelho e sentiu como se passasse por um véu de água fria. Quando percebeu, já estava do outro lado com o centauro.

   - Só isso?, disse Olivia, aliviada e levemente indignada por ter sido tão fácil.

   O centauro abanou o rabo várias vezes e sumiu no ar. Olívia nunca esteve tão assustada como agora. Era muita coisa para uma única manhã. Estava no topo da montanha baixa e não via nada do que havia ficado para trás, somente o espelho, refletindo o que havia à frente. Olívia, devagar e com sua mochila nas costas, foi descendo a montanha.


~

Daniela Ortega

domingo, 10 de outubro de 2010

As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte XII


O fim de uma jornada...


Era ele. Mas afinal, quem era ele? Fiquei pensando nisso por um bom tempo. Contei a ele como havia caído da árvore, então, ele me contara que um ent, um pastor das árvores, me levara até sua casa. Perguntei muitas coisas, para esclarecer todas as minhas dúvidas.

“Antes que me faça mais alguma pergunta. Meu nome é Thangórion. Ao lhe ajudar, acabei encontrando duas cartas, uma já aberta e queimada na ponta, e outra ainda selada. Mas fique tranqüilo, não abri e não li nada, em respeito a você, caro hobbit”.

Logo após apresentações e esclarecimentos, me apresentei, apenas dizendo meu nome. “Meu nome é Balur. Uma das cartas é para você, pelo menos acredito que seja para você. Trago uma carta de Telárius, este nome significa algo?”. Ele se espantou um pouco. Disse a Thangórion para pegar a carta e abri-la, afinal, ele me parecia ser amigo do velho Telárius.

“Telárius? Não o vejo há muitos anos...” Ele parou de falar, murmurou mais algumas palavras, e por um longo tempo, ele ficara pensando. Thangórion abriu a carta, se sentou e a leu atentamente. Alguns resmungos depois, ele ficara perplexo e me falara muitas coisas, durante um tempo considerável, tempo suficiente para me dar fome.

“Meu caro hobbit, sorte ter chegado aqui com isto, pois ao pequeno sinal de fraqueza, alguém poderia ter lhe roubado o mapa. Preciso encontrar Telárius, e com certa urgência.” Ele me mostrou algumas partes do mapa, e as runas de uma língua estranha, que ele me dissera ser de antigos anões, habitantes das Montanhas Sombrias. “Passarei alguns dias tentando decifrar algumas palavras. Você pode se acomodar em minha casa durante esse tempo. Depois disso, voltaremos para encontrar Telárius. Se prepare, será uma longa viagem.” Assim, ele concluiu e por um longo tempo as conversas terminaram, o silêncio pairou sobre aquela velha casa, apenas os pássaros eram ouvidos.

Mas e meus sonhos. O que significava aquilo tudo? Por que Thangórion estava neles? Certa vez fiz algumas perguntas para ele. “Sabe Balur, você agora é parte de algo maior, algo muito grandioso está para ser revelado. Você estava designado a carregar este mapa até aqui, dessa forma, os sonhos serviram para que você deixasse seu lar, e viajasse uma longa distância até aqui. Da mesma maneira, Telárius estava designado a conhecê-lo e mesmo sem saber se era bom ou mau, ele lhe entregara um mapa antigo, que pode trazer prosperidade ou grande perigo.” Depois das palavras de Thangórion, a água que parecia turva para mim, começou a ficar límpida.

Mas nem tudo caminhou como esperado. A promessa de partir em alguns dias fracassara. Alguns anos se passaram desde minha chegada. Thangórion viajava e ficava fora por semanas, nesses intervalos, eu ficava sozinha em sua casa, lia muitos livros, fumava muita erva e escrevia parte das minhas memórias. A promessa de partir era sempre repetida por Thangórion, mas tive paciência, até que finalmente partimos. Lá estava eu, voltando para minha casa nas colinas, para o meu jardim, minha grande cerejeira, minha cerca coberta de flores na primavera...

Assim, terminam algumas de minhas memórias. Uma aventura que no fim, foi mais uma grande viagem, sem muitos contratempos. Meses depois de minha partida do Condado, cheguei a uma velha casa, conheci um grande amigo. Thangórion era o velho que eu procurei por meses, mas uma aventura terminara e outra estava prestes a começar. Eu e Thangórion viajaríamos para a casa de Telárius, para lhe contar as novidades. Mas esta é outra história, é mais outra aventura do hobbit andarilho.

Fim...

Arthur Damaso

domingo, 26 de setembro de 2010

As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte XI


Seguindo a fumaça...



Longas caminhadas diárias. Era muito pra mim. Antigamente, a única caminhada que eu fazia, era para a estalagem Dragão Verde, ou então, para o moinho — do já falecido Feitor — pegar farinha, para fazer um grande e saboroso pão de ló.

Esses assuntos sempre me deixavam com mais fome. Em momentos como estes, eu olhava para o horizonte e sempre avistava uma fumaça saindo de alguma chaminé, com certeza alguém estava fazendo alguma delícia, talvez, tomando chá com torradas, comendo torta de amoras... Mas parecia que desta vez, eu realmente estava avistando uma fumaça. Esfreguei os olhos para ver se eles estavam me pregando uma peça, mas não, realmente subia uma fumaça em direção ao céu.

Estava bem distante ainda, mas era visível. O problema era que a fumaça estranhamente vinha do interior da floresta. Como conseguiria não me perder? Essa pergunta martelava em minha cabeça, era como um anão batendo na bigorna.

Perguntei à Narubb qual seria a decisão a tomar. Ela apenas voou e me deixou em meios as dúvidas. “Muito obrigado!”. Assim eu gritei. Os gritos ecoaram, e muitos outros gritos foram ouvidos dentro da floresta. Bem, na carta não havia nada que me impedisse de seguir um caminho por dentro da floresta. Aliás, na carta estava escrito; “Confie nas asas da bela coruja”, Telárius parecia estar errado.

Comecei então uma longa caminhada, durante certo tempo, consegui seguir a fumaça, algumas árvores atrapalhavam de vez em quando minha visão. Encontrei um riacho, tomei um pouco de água, colhi algumas frutas que cresciam em pequenos arbustos, depois continuei minha jornada. À medida que eu avançava para dentro da floresta, a luz minguava, e assim, minhas esperanças de terminar aquela viagem também. Quem era o velho que povoava meus sonhos? Por que fazer esta viagem para tão longe?

Já estava difícil enxergar a fumaça, as árvores tapavam minha visão para fora da floresta, a escuridão crescia diante de cada passo meu. A floresta era muito úmida, somente um anão conseguiria fazer fogo em um lugar como aquele. O vento entrava pela borda da floresta, era frio como o inverno e balançava as árvores como muita força, algumas pareciam até acenar pra mim. Continuei caminhando, foi então, que tive a idéia de subir em uma árvore, para tentar enxergar a fumaça novamente. Aquilo mudaria todo o rumo da viagem, uma completa reviravolta.

Ao tentar subir na árvore, obtive sucesso. Não havia carvalho, teixo, ou freixo que me segurasse. Era sempre eu a subir nas amoreiras, ou para me esconder durante as festas no Condado. Alcancei o galho mais alto, retirei algumas folhas do caminho. Já era possível avistar as primeiras estrelas brilhando no céu, e a fumaça também, para minha alegria. Um momento, um único momento de descuido... Eu tombei, caindo do alto da grande árvore, e ao cair no chão, meus olhos se fecharam, não pude ver mais coisa alguma.

Não sei por quanto tempo fiquei vagando no mundo inconsciente, mas ao acordar, ainda estava bastante tonto e, algo parecia me carregar, o pouco que vi, posso afirmar. “Era um ent.”. Ele me carregava para algum lugar, não consegui ficar acordado ou totalmente consciente para saber.

Quando enfim acordei, estava deitado em uma cama, com um pouco de dor de cabeça. Ao lado da cama, um homem — já velho —, fumava um cachimbo, e observava algo pela janela. Quando olhei para ele, consegui me lembrar, era o mesmo velho que aparecia nos meus sonhos, depois que visitei as Colinas das Torres. A primeira coisa que eu disse foi; “Você?!”.

Continua...

Arthur Damaso

sábado, 18 de setembro de 2010

Menestréis - 8



Leão da Montanha

   Correndo o dia todo com Bardax, Olívia pensou muito no quanto aqueles ciganos eram diferentes de tudo o que ela já havia visto antes, e em como de certa forma ela se identificou com eles, e teve vontade de voltar e ir para a Tenda Magnífica também. Mas tinha que tentar passar pelo Portão de Evonuque e seguir até Tílitris.

   Era tarde e Olívia caminhava, para dar um descanso a Bardax. Avistou uma grande muralha de montanhas que bloqueavam a passagem e sumiam de vista do Norte ao Sul. Eram altas e belíssimas, cobertas por um capim verde escuro e poucas árvores, havia areia ao pé da montanha mais baixa. E Oíivia disse a Bardax que iriam por ali, seria mais fácil. Essa cadeia montanhosa era altíssima e tão fria no topo das montanhas que nenhum ser conseguia sobreviver àquelas altitudes, que atingiam as nuvens. A única passagem viável para o Leste era o Portão.
  
   Estava escuro, e eles passavam pela areia, quando avistaram uma figura clara e enorme descendo da montanha mais baixa. Bardax não se assustou, e por isso Olívia decidiu não se esconder nem correr, esperaram. Era um leão. Olívia ficou com medo, mas eles permaneceram parados. O Leão se aproximou:

   - Quem são vocês? O que querem aqui? Há anos não vejo nenhum peregrino por estes ermos.
   Olívia ficou assustada. Era um leão que falava, ninguém nunca havia contado a ela que leões falavam.

   - Sou Olívia Dríniel, venho de Árane, e este é Bardax. Queremos passar por um Portão, que deve estar em algum lugar por aqui. Vamos para Tílitris, um país que fica do outro lado desse Portão.

   - O Portão de Evonuque... disse o Leão, preocupado.

   - Sim. Respondeu Olívia.

   - Venham para o meu abrigo e posso aconselhá-los sobre isso. Está começando a chover.

   Bardax foi indo na frente, parecia feliz. Olívia confiava no instinto de Bardax, e o Leão parecia ser amigável e sincero.

   Os três foram para debaixo de uma grande pedra, que tinha pinturas e desenhos em vermelho e azul. O Leão os ofereceu carne de coelho e Olívia tentou acender uma fogueira para assar o alimento, mas as pedras estavam úmidas. O Leão disse que morava ali há muitos anos, antes de Evonuque chegar.

   - O Portão do Mandingueiro Búfalo fica ali atrás, nesta montanha. Ele vive por aqui, mas o vejo raramente, e nunca nos falamos.

   Olívia e Bardax comiam a carne crua, enquanto ouviam o Leão da Montanha.

   - Olívia, você terá que mandar Bardax voltar para casa, se quiser atravessar o Portão. O Mandingueiro pode querer aprisioná-lo para usar em suas mandingas, eu já vi muitos cavalos presos por ele, e soltos após anos de cativeiro.

   Olívia fez muitas perguntas ao Leão da Montanha, e se convenceu de que levar Bardax para Evonuque não era correto. Olívia quis saber o que ela teria que fazer para passar pelo portão, mas o Leão da Montanha disse que não sabia, e achava que a passagem poderia ser impossível, mas que alguém, algum dia, teria que tentar.

   O Leão de repente ficou olhando para as pinturas, e Olívia perguntou quem havia desenhado aquilo tudo, e ele disse:

   - Foi feito pelo seu povo, que é o povo de Tílitris e de muitos outros lugares neste Mundo.
   Olívia então se lembrou do que a cigana dissera “falamos a mesma língua, significa que nossos ancestrais são os mesmos”. E eles dormiram, chovia.
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Daniela Ortega

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte X


Um grande reencontro na Floresta de Fangorn...

É... a companhia de Nórgand durara pouco tempo. Estava novamente sozinho. Logo alcançaria a Floresta de Fangorn. Muitas histórias eu escutava daquela floresta, mas ela parecia ter mudado. Com a chegada da Quarta Era do Sol, muitos lugares que se viam nas sombras, ficaram inundados de luz e prosperidade. 

Onde estaria Narubb? Era uma pergunta que rondava meus pensamentos. Depois de dois dias caminhando entre pedras e alguns arbustos, me vi na borda da floresta. Não era tão assustadora assim, mas era muito grande. Vários dias até que eu atravessasse toda a floresta. Se eu tivesse ido por dentro, não haveria estrada, poderia me perder, não valeria à pena tentar encurtar caminho.

Dei uma olhada para dentro da grande floresta, um vento frio saia de lá, era como o vento que anuncia o inverno, enquanto as folhas caem. Mas, já havia me decidido, tomaria o caminho mais longo, porém, mais seguro. Encostei-me em um velho teixo para descansar. O cansaço tomara conta de mim, então cai em sono profundo. Não durou muito meu descanso, foi quando percebi algo se aproximando, um barulho de asas batendo... Sim, era Narubb! Não poderia deixar de reconhecer uma coruja grande e azul.

Fiquei muito contente em revê-la. Muitos dias haviam se passado desde nosso ultimo encontro. Narubb parecia trazer alguma mensagem, com certeza era de Telárius. Resolvi por não abrir sua mensagem naquele momento, logo pensei... ”Não, melhor não, más notícias de novo.” Naquele momento, tudo parecia tão bom. Como Narubb havia me acordado, segui viagem, apenas para andar mais algumas léguas, antes do pôr-do-sol.

O sol já se escondia entre as montanhas, a floresta já estava bastante escura. Narubb havia saído voando, para ver como estavam aquelas terras. Adentrei alguns passos para dentro da floresta, encontrei uma pequena clareira. Lá, recolhi alguns gravetos e acendi uma pequena fogueira. Narubb logo retornou com uma pequena lebre, o bastante para mim, fiquei muito agradecido. Ela logo sumiu novamente, deve ter ido buscar algo para ela comer. Como estava com saudades de Narubb, antes do seu retorno, foram muitos dias comendo frutas, algumas folhagens, mas nada muito apetitoso, tempos ruins, devo ter emagrecido bastante nesta época. Nestas horas, sentia muita saudade de casa. 

Lá, no alto das árvores, entre uma pequena abertura nas folhagens, eu pude ver o brilho das estrelas no céu, sentir o vento, ouvir o farfalhar das folhas... naquela noite me recordava da minha antiga vida, da tranqüilidade das colinas. Era um pensamento constante. ...Lembro quando eu subia na grande cerejeira, eu olhava as colinas distantes, muitas sumiam no horizonte, eu jamais desejei alcançá-las, mas lá estava eu, muito além de qualquer horizonte, muito além de qualquer colina.

Antes de dormir, resolvi abrir a mensagem de Telárius. O que eu achei que fosse uma decepção, uma má notícia, era na verdade uma belíssima poesia. Estava difícil para ler, pois estava muito escuro, aproximei a folha para perto da fogueira, mas foi uma péssima idéia. Quando me dei conta, o papel pegara fogo, perdi um pedaço da mensagem, mas uma bela poesia estava escrita. Jamais esquecerei tão belas palavras;
A Viagem para o horizonte

Jamais tema a solidão e a insegurança  
Jamais chore pela lembrança.
Rios, planícies, montanhas
Não tema, quando as coisas parecerem estranhas.
Confie nas asas da bela coruja
Olhe sempre para o céu
Fique esperto caso ela fuja.

Tenho certeza que estás no caminho certo
Perto da floresta, longe do grande deserto.
Atravesse as grandes árvores,
Siga em frente
Com muita sorte, pode encontrar algum ent.

Sua viagem se aproxima do fim,
Mas não se esqueça de me visitar
Estou esperando com bolo e uma xícara de chá
Entregue minha carta, quando meu amigo encontrar...

Na parte queimada, outras palavras haviam sido escritas, mas as perdi em meio às chamas. Era como se Telárius adivinhasse onde eu estava e como estava me sentindo. Depois de ler, adormeci, e sob as raízes de uma grande árvore, me perdi entre sonhos.

Uma noite tranqüila, sob os olhares da floresta, e talvez, de algum ent. No outro dia, logo cedo, continuaria minha viagem, seguindo pela borda da floresta. Muitas léguas me separavam do fim de Fangorn, mas agora, Narubb estava comigo e as palavras de Telárius me indicavam o caminho a seguir.

Continua...

Arthur Damaso

domingo, 8 de agosto de 2010

Menestréis - 6 e 7



Mirante dos Dragões


Desceu do barco e deitou na praia, chegara ao continente a tempo, os barris de água doce haviam acabado um dia antes. E no barco só encontrara cocos e castanhas para comer, dentro de sacos sujos. Desejou enxergar aquele céu, que todos diziam ser azul como o mar, mas um azul diferente. O Menestrel não sabia o que eram as cores, e não entendia quando lhe explicavam.

Levantou-se e seguiu para o sertão. Era aproximadamente meio dia, pela intensidade do Sol, mas talvez no continente tudo fosse diferente, não sabia. Estava em uma mata de coqueiros altos, e ouviu o som de um riacho. Foi correndo e cantarolando naquela direção.

- Rio brincando no rio e canto em qualquer canto.

Bebeu muita água e adiante encontrou algumas laranjas. Por todo o caminho, havia árvores com frutas cítricas. Ele se sentia feliz, sempre pulando e cantando. Após uma longa caminhada, tropeçou em um galho, e ralou os joelhos em algumas pedras, sangrou um pouco. Ele chorou como uma criança, rastejou por uns metros e ficou sentado por um tempo descansando.

Laranja boa e madura,
À toa na estrada,
Não é laranja qualquer:
Tem praga, ou está bichada.
Azar eu tenho, longe do meu lar
Vou me levantar e dar no pé...

As árvores começaram a ficar diferentes, mais barulhentas e com mais sombra. Estava fresco e era noite. O Menestrel estava com fome, mas se aconchegou na raiz de uma árvore que aparentava ser bem grande. As árvores não o assustaram com todo o alvoroço, ele gostava daquele som que parecia ser maligno, porque no fundo sabia que não era. Ouviu o uivar de animais, mas ficou quieto e dormiu. Estava perto de onde queria estar, mas não sabia disso.

Com o sol já quente, o Menestrel acordou e correu até o rio, queria tomar um banho, mas já havia perdido muito tempo. Ele caminhava rápido dando pulinhos alegres, e sabia que já estava perto do Mirante. Percebeu isso porque, seguindo o rio, ouviu o som de uma cachoeira que deveria ser muito alta, isso o fez gritar muito, de uma felicidade inexplicável. Ele estava molhado por causa do vapor e seu machucado no joelho ardia. Lá em cima estava o Mirante dos Dragões, de que tanto ouvira em histórias de Tílitris, que ele mesmo recontava. Não havia dragões no Mundo, mas o Menestrel acreditava que no passado eles existiram, e que moravam ali, onde ele estava agora. O Menestrel acreditava nas histórias de sua avó, que seu pai contava, sobre a possível existência uma passagem por uma gruta dentro da cachoeira, que era o caminho para embaixo do Mundo, e que lá ainda estariam os últimos dragões. Mas ele não entraria ali e precisava continuar a caminhada, escalando um grande paredão de pedras, ao lado da cachoeira.

No topo do Mirante e em cima da cachoeira que realmente deveria ser grande pelo tempo que demorou na escalada, o Menestrel imaginou como deveria ser saber o que tinha no horizonte. Ele tirou suas roupas e as torceu, as vestiu e sentiu falta de alguns guizos que ficavam dependurados em sua blusa. Estava calor, e andando ao vento, logo estava seco, foi seguindo o rio e sentiu fome. Tinha que segurar seu chapéu em forma de cone para que não voasse.

O Menestrel estava em uma busca que talvez seria impossível. Fugiu de Tílitris para escapar da morte e procurar por Feltris. Mas antes precisaria encontrar alguém.
~


Na Floresta Azul

Feltris, após ter sido isolado de Árane e de sua amiga Délane pelo bloqueio do Mandingueiro Búfalo, caiu em sombras e desencanto. Os tílitris estavam sem segurança, e foi quando o Alquimista apareceu. Era ambicioso, e ofereceu ajuda a Feltris naquele momento de tristeza. Mas o trapaceiro Alquimista preparou uma tocaia e o mandou para o exílio, que somente a Raposa Velha sabia onde ficava.

O Menestrel estava à procura da Raposa Velha, que vivia na Floresta Azul. Ele já estava na Floresta, mas não sabia. E cantava:

O canto tem rumo certo
Como o peito aberto esconde o grito.
Já não mais ficarei em mim
Para compor o recado da presença.

O Alquimista confiscou todos os bens dos tílitris, e os que se juntaram a ele tinham regalias, e faziam a cabeça do povo, dizendo que Feltris estava longe para cuidar de sua doença, e que o Alquimista era um homem que iria trazer a felicidade de volta a Tílitris. Mas isso não aconteceu. Os artistas e opositores foram perseguidos e enforcados. As pessoas, com medo, obedeciam fielmente ao Alquimista.

A mãe do Menestrel esculpia em madeira, e foi enforcada por retratar o sofrimento do povo e a saudade de Feltris em suas obras. O Menestrel se revoltou com isso e fez muitos poemas conta o Alquimista, numa tentativa de libertar a mente dos tílitris para que eles pudessem contestar o Alquimista e fazer alguma coisa para trazer Feltris de volta, se ainda estivesse vivo. O Alquimista prendeu o Menestrel e o condenou à guilhotina. Mas ele conseguiu fugir da prisão e escapar da ilha.

O Menestrel teve a ajuda de um falso aliado do Alquimista, que trabalhava na prisão. O homem disse que havia ouvido umas conversas do Alquimista, em que ele citava Feltris e uma tal Raposa Velha, que poderia estragar tudo porque eles não a encontraram.

O Menestrel comeu algumas ervas cheirosas, e se sentiu exausto, cheio de picadas de formigas e mosquitos. A noite estava chegando e ele se sentiu indefeso, no meio de uma floresta que parecia o guiar a caminhar em círculos.
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Daniela Ortega

quarta-feira, 26 de maio de 2010

As aventuras de Balur, o hobbit andarilho - Parte IX


Uma Nova Esperança...



Meus pés ficaram pesados, cada passo parecia uma caminhada de muitas milhas. Estava cansado, minha visão se tornava confusa, como se um grande nevoeiro tivesse pairado sobre aquele lugar.

Minha única ação naquele momento, fora olhar para o céu e ver um vulto, parecia um pássaro... Mas não pude ver, desacordei. Meu sofrimento parecia ter acabado. Não sei que magia ou outra força oculta me ajudara naquele momento, mas meu fim não seria ali, nem daquela forma.

Era noite quando acordei, estava encostado em uma mochila. Não consegui ver onde estava, pois a escuridão era muito grande. Ao olhar mais a frente, percebi que havia uma fogueira e um homem sentado de costas para mim. Uma fumaça parecia sair de seu rosto, era difícil de saber, mas parecia ser um cachimbo... Era um cachimbo, o vento soprava contra mim, pude sentir o cheiro de uma boa erva sendo queimada. Ainda estava muito fraco, não consegui me levantar. Entre gemidos e esforços, o homem se virou e eu pude ver sua face.

Fiquei observando-o por algum tempo, mas o silêncio permaneceu por um breve período. Era preciso dizer alguma coisa, mas nada me veio à mente naquele momento. “O que aconteceu?”. Não foram sábias palavras, mas, foi o que consegui dizer, sem muito pensar. O homem se apresentou. Dizia se chamar Nórgand. Era um andarilho, talvez, até um dos guardiões do norte... Fiquei curioso para saber o que havia acontecido. Pedi-lhe para contar como havia me encontrado.

“Eu estava passando por estas terras, indo ao sul, até o reino de Gondor, para a cidade de Minas Tirith. Estava a mando do rei, seguindo um grupo de orcs, que tentavam atacar os Terrapardenses. Mas não consegui segui-los, em uma das noites, perdi totalmente o rastro deles. Foi quando avistei uma enorme ave se aproximar de algo, quando cheguei mais perto, era você. A enorme ave era uma coruja, muito bonita, tentei capturá-la, mas em vão. Ela voou para longe, além das montanhas, não deve mais incomodá-lo. Há dois dias viajo trazendo você comigo.”

Sim, a coruja com certeza era Narubb. “Pobre Narubb” - Pensei por um breve momento. - “Veio com alguma notícia ou estava tentando me ajudar”. Mas não disse nada à Nórgand. Restava saber onde eu estava. “Já que viajamos há dois dias, onde estamos?”. “Estamos bem próximos de Isengard.” Fora a melhor notícia dos últimos dias. Esperei que Narubb retornasse, mas eu sabia que, enquanto estivesse com Nórgand, ela hesitaria em se aproximar.

Depois de dois dias de viagem, chegamos à Isengard. Acampamos próximos da grande Torre de Orthanc, trancada naquela época. Fumamos nossos cachimbos e conversamos. Tudo mudara para mim, poderia ter morrido nas montanhas, mas não parecia ser meu destino. Dormi olhando as estrelas, elas pareciam mais brilhantes naquela noite.


Mais um dia da Quarta Era chegava. Logo de manhã, Nórgand seguiu para o sul, enquanto eu viajei para o norte, continuando aos pés das montanhas, mas com um horizonte bem diferente. Agradeci muito à Nórgand, ele me trouxe uma nova esperança, se não fosse por ele, não sei se Narubb poderia ter me ajudado. Por falar nela, fiquei esperando ansiosamente seu retorno, o que logo aconteceria.


Continua...

Arthur Damaso